Histórias de
Motociclistas
Texto enviado por nossa colaboradora

Luciana Carvalho
Quinta-feira (03/11/05) - Saí do shopping umas 17:40h, o tempo tava razoavelmente bom, meio nublado, mas bom. Começo a descer o estacionamento, meu celular toca, paro pra atender, nunca atendo, mas fiquei preocupada, era o Lu dizendo q tinha começado a chover no Caiçara. Tava toda feliz, q não tinha precisado vestir a capa naquele dia (não tô mais aguentando essa chuva e ter q andar q nem astronauta), aí com toda paciência q eu não tenho, vesti só a calça (ainda estava dentro do estacionamento do shopping). E fui...
Qdo tô subindo a R. José Cleto, começa cair umas gotas, aí pensei, não chove não, não chove não! Pensando na favelinha q eu tinha q passar debaixo de um viaduto pra pegar a BR e que lá inunda tudo qdo chove. Continuou só pingando.
Saindo da favelinha, tem uma rotatória, eu contornando a rotatória, num é que a anta duma mulher entra na minha frente, de uma vez. E pra ajudar, tem uns buracos gigantescos nessa rotatória, eu não sabia de quem eu desviava, se dos buracos ou da mulher. Direto uma da uma barbeiragem comigo. Mas consegui parar e ela passou (lógico né! De qualquer jeito ela ia passar, nem q fôsse por cima de mim). Só agora tenho observado como as mulheres são muito desatentas. Acho q têm reflexos mais lentos. Não fiquem felizes, os homens tb vacilam demais!!!
Entro na BR... começar a pingar mais forte... passo pelo viaduto em cima da Antônio Carlos, a chuva engrossou mais... continuo indo, não tinha onde eu parar... minha viseira cheia de lama, e a chuva cada vez mais forte, mas...continuei.
Qdo cheguei em cima da Av. Pedro II, despencou uma tempestade de verdade, tudo foi ficando branco, não dava pra enxergar nada. Fiquei com medo de q os caminhões não me vissem, mais pra frente depois do viaduto da Pracinha São Vicente, entrei a direita na marginal, lembrei de um posto BR q tem lá. Desci o morrão, lá embaixo, tudo alagado (pensei: e agora?), mas consegui passar, comecei subir pra chegar no posto, qdo olho pra entrada, uma enxurrada (não sei se escreve assim) gigante, fiquei com medo de carregar a moto qdo eu tentasse entrar, mas eu não tinha opção, engrenei marcha forte e fui. Passei, entrei no posto e parei.
Fiquei toda encharcada, pq só tinha vestido a calça. Aí vesti a jaqueta por cima da blusa molhada mesmo. a chuva diminuía, aí eu me preparava pra ir e ela aumentava. Teve uma hora q a paciência acabou e a chuva diminuiu e eu fui.
Fui, fui, fui... pensei em entrar na Amazonas, mas não deu tempo, passei da entrada, só então percebi tudo congestionado na minha frente. Eu bem em cima da Amazonas e nada de andar. A retardada da Lu (eu) fiquei parada atrás dos carros (ainda não me sentia confiante o suficiente pra entrar pelos corredores no meio de uma tempestade não!), e a chuva foi aumentando e eu ensopada, minha bota parecia uma piscina, pois a calça sobe qdo sento na moto, a luva tava ensopada, minha mão ficou toda preta da luva q desbotou. E as motos todas passando... e eu ficando..., aí apelei e disse: "Porr* tô de moto e aqui igual retardada, acorda!". E fui, bem devagar, pelos corredores, me espremendo daqui, parava mais um pouquinho atrás dos carros, me espremeia dali e andava mais uns 3 carros e sempre olhando pra ver se não vinha nenhuma moto desembestada pelo corredor.
Qdo cheguei em cima daquele viadutinho, em cima da Av. Tereza Cristina do Betânia, sabe onde é? Não tinha como passar, os carros ônibus e caminhões se entrelaçaram ali em cima, pq na frente, debaixo da linha do trem, tinha inundado e não dava nem pros ônibus passarem. Eu parei e fiquei olhando... sem saber o q fazer... e a chuva não dava trégua.
Aí parou um motoqueiro numa CG Azul do meu lado e falou: "q chuvão heim?". Aí eu concordei e disse q nunca tinha pegado uma chuva daquela. Ele falou: "vem vamos passar por ali...". Ele era um "anjo" mandado por Deus, só pode! Ninguém tinha parado pra falar comigo e nem ia naquela chuva.
O "ali" dele era onde os pedestres passam em cima do viaduto, super estreito e sem as grades de proteção, q tinham caído com a chuva. E eu fui... só q pra subir no negócio tinha um buraco, e eu dei uma desequilibrada no buraco. Não dava pra por o pé direito no chão (buraco), nem com meu salto gigantesco e desse lado direito era um barranco q caía lá na Tereza Cristina. Tombei meu corpo pra esquerda, e escorei minha perna na mureta. Fui arrancando devagarinho, ralei a bota toda na mureta, mas subi. E falava pra eu mesma: "Não olha pra baixo, olha pra frente, lembra da prancha na moto escola, vai reto" e saí lá do outro lado. Ufa!
Mas aí... não dava pra passar debaixo da linha de trem. Aí vimos os motoqueiros indo pela contramão, descendo a rua q dava na Tereza Cristina. O motoqueiro "anjo" me perguntou pra onde eu ia, eu disse q queria pegar a via do minério, ele falou pra eu seguí-lo q ele tb ia pra lá pq morava no Cardoso. Fiquei com medo, mas eu não tinha outra opção ou ia, ou ficava na chuva sem hora pra acabar e sem saber qdo a água escoaria da BR.
Na Tereza Cristina, tem um rio "Arrudas?" no meio né? Nos vãos de retorno, a água dentro do rio batia nas beiradas e fazia ondas altíssimas. (Achei q fosse o dilúvio). Segui ele, e qdo chegamos na Via do Minério a chuva já tinha diminuído um pouco. Mas continuava caindo, minha bota queria cair do meu pé, de tão cheia d´água. Aproveitei q paramos no sinal para agradecê-lo. Depois nunca mais o vi.
Cheguei em casa 19:30h, mais molhada impossível. A minha mochila ensopou, pensei q tinha estragado meu celular, meu trabalho de inglês rasgou todo dentro da mochila, chave, cartão, dinheiro, tudo ensopado. O forro de dentro da mochila rasgou todo, não sei como.
Resultado: sem mochila e sem bota (ela era nova!).
Mas Graças à Deus, cheguei bem. E vc´s acreditam se eu disser q gostei disso tudo? Foi uma aventura na minha vida rotineira e sem emoções, fora a experiência acumulada!
E depois disso... tenho pegado chuva todos os dias... ninguém merece!
Beijos
Luciana Carvalho