Histórias de
Motociclistas
Por: Francisco Woods de Carvalho
O objetivo dela é o de criar uma consciência humanizada, com valores superiores.Precisamos aprender com os erros, e na estrada como na vida não caminhamos sós. Temos sempre a companhia de pais, irmãos, esposas, filhos, tios, primos, namoradas, amigos, vizinhos ou colegas, como folhas de uma mesma árvore.
Quando se anda de motocicleta o fazemos sem nenhuma proteção, somos totalmente vulneráveis, à violência do trânsito, da sociedade, do tempo (chuva, sol, neve, frio). Isto nos torna mais humanos, sem nenhuma máscara, somos nós e a estrada, e ela é a professora. Temos que ser humildes e aprender. E como eu tenho aprendido nas estradas.
No último dia 23 de fevereiro deste ano(segunda-feira de carnaval), houve um encontro promovido através de um grupo de amigos que se comunica através de fórum na Internet. Resolvemos fazer um encontro e um passeio por Minas Gerais, durante o Carnaval, veio gente de Brasília, Goiânia, Campinas, Espírito Santo, Paraná, Juiz de Fora. O passeio foi muito bom, na ida para Catas Altas, passamos por Sabará, Caeté ( Serra da Piedade ), Santa Bárbara (Caraça), Catas Altas (onde almoçaríamos). O Restaurante não havia sido contatado para receber o grupo de mais de 30 pessoas, cerca de 21 motocicletas. Resultado: o almoço saiu muito tarde e algumas pessoas nem foram servidas. Saímos de Catas Altas depois das 18 h. e meia hora depois desabou um temporal. As pessoas ficaram apavoradas, os motociclistas mais experientes tentaram organizar o grupo, o qual não tinha a mínima organização, e tentar trazê-lo em segurança para Belo Horizonte. O tempo não melhorou e a estrada para Mariana, Ouro Preto, Itabirito, estava muito perigosa. Em um trecho de 143 km gastamos seis horas. Motos pararam por pane elétrica, uma caiu, outra amassou a roda e teve que ser rebocada de volta a Belo Horizonte (a do Líder).
Desta experiência tiramos uma lição. Devemos sempre fazer um planejamento adequado, organizar o grupo, analisar a condição de cada moto, do motociclista, verificar o tempo, as condições da estrada, as pousadas pelo caminho, os restaurantes, quem será o líder, quem irá atrás, qual a melhor formação. Afinal queremos viajar mais e por mais tempo. Não podemos sair como um bando em fuga e, sim, numa formação de pássaros em migração, com um mínimo de organização. Às vezes temos tempo de aprendermos a lição e repassá-las, outras vezes não. Hoje estou vivo e inteiro para relatar uma experiência que poderia ter resultados graves, mas não podemos brincar com a sorte e nem com a vida dos outros. E rezar, que é do que estamos precisando e agradecer.
* Enviado por Emanuel J. Vilela MC Loucos das Gerais. ejvilela@netcetera.com.br